O Universo: Tempo e Espaço

Percebo o tempo e o espaço como o tecido subjacente do universo. Para mim, o espaço é o canal, através do qual, o tempo flui. Mas paradox­almente, eu penso que o espaço existe somente em virtude do fato que o tempo flui através dele. Portanto, eu tende a ver o tempo como a essência primária. [English] [PDF]

Minha experiência mais antiga de tempo e espaço foi durante os longos dias de verão, quando era uma criança pequena, no quintal dos meus avós. Havia um gramado grande, uma estufa e além, um trecho de vegetais. O quintal era retangular. Eu ganhei o meu senso infantil de distância, direção, velocidade, aceleração - e, portanto, tempo - enquanto eu vagueava de um pequeno nicho para outro, sob o sol de verão, salpicados pelas sombras das folhas da faia e do sicômoro. Era um mundo pequeno e relativamente plano, que terminou abruptamente na cerca do quintal.

Quando me tornei um pouco mais velho, ganhei um sentido do mundo além do quintal dos meus avós. Lembro-me das épicas viagens de compras, no centro de Manchester, nas quais fui levada com minha mãe e avós, durante os tempos obscuros da Segunda Guerra Mundial. Eu era muito jovem para estar ciente da Guerra. Nunca tinha conhecido de nada mais. O que me impactou foi a enormidade deste mundo além do quintal. No entanto, esse mundo maior seguiu as mesmas regras. O ônibus, embora fosse muito mais rápido, mudou-se essencialmente da mesma forma que eu andei. As leis do movimento foram conservadas.

Logo, cheguei à idade em que eu, como todo mundo, adquiri o poder mental da abstração. Eu poderia, mentalmente, colocar as coisas em categorias, e assim, abstrair as propriedades ou os comportamentos, que eram comuns a diferentes coisas, que vi e experimentei no mundo. Percebi, por exemplo, que as paredes dos quartos da casa dos meus avós eram verticais. Eu vi que alguns estavam em ângulo reto entre si, enquanto outros eram paralelos. O chão e o teto eram horizontais, mas em níveis diferentes. Essa experiência prática de observação facilitou a minha percepção dos eixos X, Y e Z da geometria euclidiana. Mais tarde, ganhei a capacidade de perceber a noção de rotação, também em relação a estes 3 eixos mutuamente independentes.

Para mim, o tempo é algo que flui. É um fluxo, que nunca pode ser pausado. Nem mesmo pode ser interrompido temporariamente. É um fluxo invariável. Não flutua. Ele nunca oscila. Ele flui linearmente, ao longo de um misterioso continuo indivisível. Em outras palavras, ele flui em linha reta. Ao contrário do espaço, ele não pode ser roteado. Os eventos podem repetir. Mas eles são eventos sucessivos, estritamente diferentes. O próprio tempo nunca passa em círculo. Não existe uma órbita no tempo.

Como o movimento através do espaço, o fluxo de tempo parece ter uma taxa, análoga à velocidade. Sua taxa parece ser constante, independentemente do que estou fazendo. Para mim, o tempo passa na mesma taxa, se eu estou em movimento ou se eu estou estacionário em relação a outras coisas. É como se eu, e de fato o resto do universo, estivesse se movendo a uma taxa constante através do tempo, em relação ao mesmo absoluto evasivo.

Quando estou ocupado, um longo tempo parece curto. Ele acaba igual um relâmpago. Quando estou ocioso ou entediado, um pouco de tempo parece longo: parece arrastar. No entanto, posso distinguir, perceptivamente, entre, por um lado, essa taxa subjetiva de fluxo de tempo e, por outro lado, a taxa objetiva constante na qual percebo que o tempo está realmente fluindo.

A visão ciêntifica sobre o tempo está em desacordo com a minha percepção dele. A ciência divide o tempo em uma sequência de momentos. Um momento é um lapso ou período de tempo extrem­amente curto δt. Um determinado período de tempo, t, é a soma de um infinito número de momentos δt, onde a quantidade de tempo δt se aproxima de tempo nenhum.

Não obstante, o que pensamos como um período de tempo não é realmente tempo. O tempo é um fluxo, que não pode ser parado, congelado ou mesmo pausado. Conseqüentemente, a noção que chamamos de um período de tempo t deve ser, na realidade, a solução para a integral mostrada à esquerda. A variável desta integral é a realidade que percebemos e experimentamos como tempo passando (ou fluindo).

A constante é a relação proporcional entre o período de tempo t e o fluxo de tempo . é para o fluxo de tempo o que a velocidade da luz c é para o espaço. Suas dim­ensões seriam segundos por unidade de , embora eu pense que todas as unidades físicas deveriam ser redefinidas para tornar uma quantidade sem dimensões.

O que eu experimento como a passagem (ou o fluxo) do tempo parece ser tão fundamental que a minha mente não consegue constuir um conceito adequado. É por isso que usei um símbolo inventado para representá-lo. Estou bem persuadido de que o fluxo de tempo deve ser, de fato, o último fundamento de toda existência.

Mas aqui devo ser cauteloso. Devo estar ciente de que tudo o que posso saber sobre o fluxo de tempo é que é algo que eu experimento. É algo que ocorre dentro da minha consciência. O que, do mundo exterior, realmente invoca essa experiência pode ser algo bastante brando por comparação.

Na verdade, a experiência do fluxo de tempo pode ser um pouco semelante a experiência da cor. As cores de um jardim de flores são, na realidade, diferenci­adas por nada mais encantadora do que diferenças nas freqüências de vibração das ondas eletromagnéticas refletidas pelas flores.

O primeiro escalão da existência, do qual a minha mente é capaz conceituar, é a solução t para a integral acima. Isto é o que é conhecido como um período de tempo, que pode ser medido em anos, meses, semanas, dias, minutos e segundos. Mas um período de tempo não é uma realidade objetiva. É apenas uma construção artificial, que não existe fora da mente consciente. E existe lá, somente em virtude do fato de, a mente humana tem uma memória. Assim, um período de tempo t não é, realmente, tempo. É, ao contrário, o que eu percebo como o deslocamento-de-tempo entre dois fluxos-de-tempo separados. Isso, como mais tarde tentarei explicar, parece-me ser o que realmente é o espaço.

Pelo que eu posso respigar, a ciência não considera a natureza do tempo como um constante fluxo incessante de qualquer coisa. Ela simplesmente considera períodos de tempo. Mas mesmo um período de tempo é difícil de representar diretamente. Por esta razão, a ciência tenta representar um período de tempo, desenhando uma analogia com um comprimento de espaço, o que parece ser um pouco mais tangível do que um período de tempo. Portanto, a ciência representa um montante (ou período) de tempo como um montante (ou comprimento) do espaço.

Representation of Space-Time

A ciência postula que a realidade é 4-dimension­al, compreendendo 3 dimensões espaciais e uma de tempo. A origem das coordenadas (o ponto zero quadruplicado em que todos os 4 eixos se cruzam) é onde eu, como observador relativista, estou permanentemente localizado. É o ápice do que é denominado o meu horizonte-de-eventos. É daqui que eu observo o meu universo. Este assim-chamado quadro-de-referência viaja comigo sempre na minha jornada de vida, através do espaço-tempo. É impossível representar, diagram­aticamente, as 4 dimensões do espaço-tempo de forma que possa ser visualizada por seres hum­anos. A ciência, portanto, corta uma das dimen­sões do espaço e a usa para representar a dimen­são do tempo. Assim, o espaço tridimensional é representado por um plano bidimensional.

Para tentar obter uma visão tangível de como a ciência dominante representa o espaço-tempo, eu me imagino como um objeto genérico, imperturbado no espaço-livre, que é capaz de observações consciente. Por imperturbado, quero dizer que eu, como um objeto, não estou sendo agido por nenhuma deliberada força externa. Neste estado relaxado ou neutro, outros objetos no universo estão se movendo em relação a mim. Além disso, quando em qualquer curso que não seja um curso de colisão direta, um objeto me aproxima de uma taxa de desaceleração, que é extremamente não-linear, até o ponto mais próxima de mim e, em seguida, acelera-se de mim a uma taxa decrescente, o que novamente é extremamente não-linear. Além disso, se eu faço um encontro próximo com um objeto maciço o suficiente para exercer uma influência gravitacional substancial, eu não só sofro uma aceleração seguida por uma desaceleração, mas também acabo viajando em um direção absoluto diferente dentro do universo.

Mas qual é, exatamente, essa noção de movimento? O que é o qual eu percebo como a minha velocidade ou aceleração, em relação a outro objeto? A ciência a percebe como um fluxo de (ou através) do espaço s em relação ao tempo t. É um fluxo, que pode ser linear ou ter muitas ordens de não-linearidade, em relação a uma medida de tempo convencionalmente decidida.

Problema de Conceito

Eu posso ter um controle considerável sobre o meu movimento através do espaço. Eu não tenho absolutamente nenhum controle sobre o meu movimento através do tempo. Nunca tenho a sensação de acelerar a través do tempo, mas eu tenho é a sensação de ser transportado passivamente através dele a uma taxa constante. Essa diferença fundamental entre minhas experiências de tempo e espaço cria para mim um problema conceitual com essa representação 4-dimensional, onde o tempo é simplesmente uma dimensão adicional exatamente do mesmo tipo que as outras três dimensões espaciais.

Dentro do sistema de coordenadas da minha estrutura de referência 4-dimensional, a direção negativa ao longo do meu eixo T representa montantes de tempo medidas no meu passado, enquanto a direção positiva ao longo do meu eixo T representa montantes mensuráveis de tempo no meu futuro. O problema é que eu percebo meu "agora" como não sendo estacionário, mas como se movendo implacavelmente para o meu futuro a uma taxa constante. Afinal, mesmo que eu não faça nada e não vá a lugar nenhum, ainda envelheço.

Então, como represento esse movimento percebido ao longo do eixo T no diagrama acima? Só posso concluir que a ciência deve percebê-la como um fluxo de tempo t em relação ao tempo t. De outra forma, a matemática da ciência pode representar um fluxo de tempo? Mas isso é claramente um absurdo.

Eu acho que esse problema conceitual surge por resão da maneira como o tempo é representado no quadro de referência 4-dimensional. Uma montante de tempo é representada como uma distância ao longo de uma linha. Uma linha é percebida como constituindo um número infinito de pontos infinitamente pequenos. Mesmo a estrutura da própria linguagem incorpora a noção de um comprimento de tempo. Isso dá origem à noção de um instante como um ponto em tempo, que pode ser expressado como uma certa distância medida longe de "agora".

Observação de Eventos

A minha intuição é que eu tenho uma sensação de tempo somente porque a minha consciência está recebendo um fluxo contínuo de informações, através dos meus sentimentos corporais, sobre eventos que ocorrem no universo fora de mim. Além do meu entorno imediato, esse fluxo contínuo de informações do meu universo é levado para mim por radiação eletromagnética, que supostamente viaja pelo espaço a uma velocidade constante, geralmente denotada por c. Conseqüentemente, qualquer evento, que ocorra em qualquer local dentro do universo, pode afetar-me somente quando a sua influência, viajando a velocidade c, chega até mim.

Descrevido dentro da visão da ciência do espaço-tempo 4-dimensional, todos os eventos, cuja influência pode me afetar, no momento em que chamamos agora, deve estar na superfície infinitamente fina do cone vermelho infinito mostrado na diagrama adjacente. Tal evento é indicado pela figura (1). Um evento dentro do cone (2) aconteceu perto demais de mim, para eu não ser afetado por isso agora. Sua influência passou por minha posição atual em algum momento no passado e atualmente está viajando longe de mim. Eu poderia ter sido afetado por isso, no passado, se a influência dele passou minha localização depois do meu nascimento. Um evento fora do cone (3) aconteceu demais longe de mim para a sua influência ter atingido a minha localização atual. Eu poderia ser afetado por isso no futuro se eu ainda estiver vivo quando seu efeito me alcançar.

O universo que vejo compreende eventos que ocorreram dentro da faixa de espaço-tempo representada pela superfície do cone. Essa faixa de espaço-tempo é chamada meu horizonte-de-eventos. À medida que meu momento de agora avança no tempo, o cone é arrastado com ele. Assim, num momento δt além de agora, meu universo visível compreenderá uma faixa diferente do espaço-tempo representada por um cone idêntico, cujo ápice está δt além do meu presente. É fácil imaginar uma série de cones finos sucessivos cujos ápices são separados por δt na direção do futuro.

Não é difícil analogizar esses cones sucessivos como quadros sucessivos de um filme (vídeo) do meu universo visível. Mas essa noção de um filme é perigosa. Exige apenas um pequeno passo de extrapolação errônea para supor que esses sucessivos quadros de visão possuem suas próprias existências, assim como os quadros de um filme artificial. Daí a noção de que todo o passado e o futuro de uma pessoa são indelevel­mente gravados em sucessivas fatias cônicas do tecido do espaço-tempo.

Se, de fato, todo o meu passado e futuro já estiver inscrito dentro desse quadro 4-dimensional do espaço-tempo, então a minha inata sensação de vontade livre é uma ilusão. Estou inexoravelmente constrangido a decidir, em cada pequeno detalhe, o que já foi predeterminado que eu deveria decidir. Eu não penso e decide. A minha mente não é mais do que uma agulha de gramofone seguindo o seu sulco inflexível no vinil da eternidade.

Mas isso é completamente contrário à minha percepção. Eu penso e decido. A minha vida está cheia de decisões, que eu faço todos os dias. Claro, qualquer decisão que eu faça é apenas significativa, se eu tiver o poder de expedi-la. Se eu decidir explodir o sol, a decisão é inútil, porque não tenho o poder de explodir o sol. No entanto, eu penso que, dentro de um certo subdomínio limitado da realidade, eu, definitivamente, posso exercer livremente a minha vontade.

Um ponto no tempo não pode existir, porque o tempo não pode ser pausado. O tempo é um implacável contínuo de fluxo. Portanto, não há motivos para supor que o futuro já esteja determinado. Além disso, não acho nenhuma evidência para acreditar que o passado ainda existe. Tem existência apenas como padrões neurais representativos dentro dos cérebros dos seres humanos, auxiliados e estendidos por representativos sons e imagens, gravados em mídias artificiais.

Verdadeiro Quadro de Referência

A única verdade, a este respeito, para a qual eu posso conscientemente atestar, é que eu observo o meu universo visível para estar em um estado contínuo de mudança. E é esse contínuo estado de mudança - esse fluxo contínuo de novas informações chegando à minha visão consciente - o que me dá a minha noção do passar do tempo. No entanto, eu penso que há mais a percepção do tempo do que simplesmente mudânca. Penso que a percepção do tempo vem da comparação subconsciente de uma fonte de mudança com outra. É uma comparação. Mais especificamente, é uma comparação entre uma mudança em um fenômeno observado e uma mudança em um fenômeno de referência.

Desde o nascimento, a minha mente vem recebendo um ritmo regular de mudança. É o ciclo do dia e da noite. Eu sinto isso tanto como luz pelos meus olhos e calor radiante pela minha pele. À medida que o dia avança do amanhecer ao anoitecer, a intensidade, a assinatura de cores e o ângulo da luz do dia estão em contínuo estado de mudança. Embora um dia possa parecer longo, o ângulo, intensidade e espectro da luz do dia progride a um ritmo perceptível. Fiquei de pé na floresta, observ­ando os padrões de manchas solares enquanto se moviam pelo chão, depois escalando, primeiramente para baixo e depois para acima, as árvores. É isso, tenho certeza, o que invoca o meu senso de tempo como um fluxo contínuo. Os relógios podem fornecer uma precisão abstrata para medir o tempo numericamente. Mas o meu senso consciente, do fluxo de tempo, vem da minha imersão, ao longo da minha vida, neste ambiente terrestre natural, com seu incansável aumento e dimin­uição da luz do dia.

Minha percepção do tempo é, portanto, uma percepção da relação entre o que é e o que foi, embora o que foi tem existência somente na minha memória. Não obstante, o que foi e o que é, por si mesmos, são bastante irrelevantes. É o movimento ou a transição de o que foi para o que é que forma a essência do que eu percebo.

Isto é evidenciado pela música. Em uma frase musical, as notas in­dividuais em mútuo isolamento, não transmitem senso de harmonia. É somente quando elas são tocadas na seqüência apropriada, separ­adas por múltiplos de um intervalo metronômico real ou implícito, que experimento uma instância da beleza auditiva chamada música. Música invoca uma experiência de movimento através do tempo, que não depende de movimento correspondente através do espaço.

Por outro lado, tenho uma firme convicção perceptiva, de que eu não posso passar pelo espaço, sem passar pelo tempo. Eu irei até dizer, que qualquer movimento, que eu faça, através do espaço, é um movimento também através do tempo, que é adicional ao que eu experimento, enquanto eu não estou em movimento através do espaço. Em outras palavras, estou sempre em movimento involuntariamente através do tempo. No entanto, se eu movo através do espaço, estou necessariamente experi­mentando um movimento adicional, através do tempo.

O universo não é conectado instantaneamente. Uma mudança em um lugar no universo pode afetar outro lugar no universo somente quando o efeito da mudança teve tempo para alcançar esse outro lugar. Um efeito pode se dispersar de sua origem para outros lugares somente à velocidade da luz. No triângulo à direita, Eu só posso ver o que Ele fez 4 μs (microssegundos) depois que Ele o fez. Só posso ver o que Ela fez 5 μs depois que Ela o fez. Ele só pode ver o que Ela fez 3 μs depois que Ela o fez, e vice-versa. Eles só podem ver o que eu fiz 4 e 5 μs, respectivamente, depois que eu o fiz.

Se eu andar 1,2 km para onde Ele está, eu efetivamente altero minha posição no tempo por 4 μs. No entanto, ao fazê-lo, também estou viajando pelo tempo normalmente, no sentido de que ainda estou envelhecendo. É como se Eu estivesse em uma correia transportadora de tempo e Eu caminhei ao longo desta correia transportadora para um lugar 4 μs diferente de onde Eu estava antes. No entanto, a informação e os efeitos parecem sempre ser puxados para mim, a uma taxa constante, de todas as direções no espaço tridimensional. Estou assim persuadido de que o tempo, como o espaço, deve ser tridimensional, não unidimensional, como na representação proposta pela teoria da relatividade convencional.

Eu percebo a minha consciência para ser estacion­ada, com a correia transportadora do tempo, que flui para ela de todas as direções do espaço, desapare­cendo em uma aparente singularidade, no ponto em que eu estou. Mas para onde ele vai a partir daí? Ele surge em dimensões invisíveis dentro do ponto-singularidade? Eu nunca poderia saber. A correia transportadora do tempo viaja na velocidade máxima, c. Mais rápido que isso, nenhum objeto, informação ou influência pode viajar. Nada pode, portanto, correr para trás contra a correia transportadora com rapidez suficiente para superá-la e, assim, emergir da singu­laridade no centro da minha consciência.

A taxa, na qual o fluxo de tempo converge das 3 dimensões do espaço até o ponto da minha consciência, parece ser uma constante, c. Pode não ser assim. Mas é assim que, erronamente ou não, eu o percebo. Estou assim convencido de que o meu senso consciente ou ilusão da taxa de passagem do tempo é invocado pela chegada contínua de informações na correia transportadora do tempo, que está viajando radialmente para mim de todas as direções do espaço à velocidade c.

Enquanto me sento aqui, imperturbado dentro do universo, estou estacionada em relação a algumas coisas e me movendo em uma ampla gama de velocidades em relação aos outros. Na verdade, estacionário é apenas um caso especial de movi­mento. É simplesmente uma velocidade relativa de zero. É como se, em qualquer direção, a velocidade relativa, v, entre eu e outro objeto, pode estar, em qualquer lugar, no intervalo −c < v < +c. No entanto, sinto que todas as velocidades relativas, que tenho em relação a outros objetos no universo, não têm qualquer efeito sobre a velocidade em que a correia transportadora do tempo flui para a singularidade do ponto da minha consciência.

A velocidade relativa no espaço livre, portanto, parece ser independente da taxa em que o tempo flui, embora vejo ambos fluir dentro das mesmas 3 dimensões. É como se o fluxo radial esférico da minha correia transportadora do tempo faz parte do meu próprio ser. Ele se move comigo, como um constante companheiro imutável, onde quer que eu vá. É o meu universo. É a essência subjacente do alcance infinito, que me apresenta a minha visão de toda a realidade externa. É o meu único e verdadeiro quadro de referência.

NOTA: A independência de v e c pode resultar do fato de que c não é realmente uma velocidade. A velocidade é um vetor. Por conseguinte, necessariamente tem uma magnitude, que pertence a uma única direção no espaço. A quantidade c, por outro lado, não é uma velocidade porque pertence simultaneamente a todas as direções no espaço. Portanto, não é uma velocidade, mas uma taxa de convergência. A convergência é esférica­mente simétrica: a velocidade não é. A velocidade é tão esférica­mente assimétrica quanto possível.

Onde isso deixa minha noção de espaço? Posso expressar a idéia de separação espacial em termos de tempo? Considere a separação espacial entre Ele e Ela no diagrama adjacente.

Ela está a 0.9 km de distância dele em uma direção (chame a direção positiva). Ele está a 0.9 km de distância dela na direção oposta (o que conseqüentemente deve ser a direção negativa). Assim, a distância é bipolar. Pode ter uma direção positiva e uma direção negativa, embora qual direção seja considerada negativa e qual direção é considerada positiva é inteiramente arbitrária. Por outro lado, ele a vê como ela era 3μs no passado dele e ela o vê como ele era 3μs no passado dela. Assim, o tempo é monopolar. Não pode progredir em uma direção negativa.

No diagrama à esquerda, a direção vertical representa o tempo, da mesma maneira em que a física estabelecida faz na sua represent­ação do espaço-tempo em 4 dimen­sões. Isso ilustra bem o ponto em que ele pode vê-la (como mostrado pela cabeça mais escura da cor magenta), somente como ela estava 3μs no passado dele. Não há motivo para que as cabeças "Ele" e "Ela" não possam ser trocados, com a cabeça dela no meio e com a cabeça dele e a imagem passada da cabeça dele no lado esquerdo do diagrama em vez da direita. Os posicion­amentos verticais, no entanto, per­manecem os mesmos. Eles não revertem como no caso de separa­ção espacial. Ela também o vê como ele era de 3 μs no passado dela.

A consequência é que, embora "Ele" possa ser considerado como o seguidor de "Ela", ou "Ela" como a seguidora de "Ele", no contexto do espaço; ninguém pode estar à frente, nem por trás, a qualquer outra pessoa ou objeto, no contexto do tempo. O tempo não impõe nenhuma classificação hierárquica. Com o tempo, todos somos iguais e não podemos ser de outro jeito.

O fato que "Ela" está a 0,9 km de distância de "Ele" no espaço, efetivamente desloca "Ela" por −3μs ao longo da correia transportadora de tempo dele. O sinal negativo significa que o deslocamento está na direção do passado. Este −3μs tem a sentido de ser uma medida estática do tempo, no mesmo sentido do que o 0,9km representa uma distância estática (ou fixada). Eu penso que os seres humanos passaram a perceber estes como as medidas fundamentais do tempo e do espaço porque esta situação estática é dominante no ambiente físico dentro do qual nosso cérebro humano desenvolveu suas percepções espaciais e temporais.

O meu sentimento é, que o fundamento não é deslocamento em tempo (como mensurável em segundos), mas é o fluxo de tempo. Esse fluxo de tempo é tão fundamental que é muito difícil compreender conceitualmente. O fluxo de tempo é, para tempo, o que a velocidade da luz - ou, mais corretamente, a taxa de convergência - é para distância.

Se "Ele" e "Ela" são co-localizados (estritamente uma impossibilidade, mas ilustra o ponto), eles vão com o fluxo de tempo juntos da mesma maneira que dois asteróides se lançam pelo espaço lado a lado. Se "Ela" estiver a 9,9 km de distância de "Ele", ambos estão passando pelo tempo com a mesma taxa, mas são deslocados um do outro em −3μs. "Ela" está em uma direção no espaço do ponto de vista de "Ele" e "Ele" está na direção oposta no espaço do ponto de vista de "Ela". Mas cada um está deslocalizado do outro na mesma direção em relação ao tempo.

Um deslocamento-de-tempo não pode existir como uma separação entre dois assim-chamados pontos no tempo. Pode existir somente como a separação espacial de dois fluxos-de-tempo. O espaço (distância) é equivalente a um deslocamento-de-tempo. Então, se o tempo não fluísse, não haveria espaço. A velocidade é a taxa na qual essa separação espacial (ou separação entre deslocamentos-de-tempo) muda.

O Portador da Luz

Minha percepção é que a visão de tudo o que vejo é levada à minha consciência na minha correia transportadora do tempo. Parece-me que é essa correia transportadora de tempo que traz luz aos meus olhos.

De acordo com minha melhor compreensão, a ciência atualmente acredita que a luz viaja na forma de partículas chamadas fótons. Essas partículas de luz viajam à velocidade da luz, cada uma com um quantum de energia específico. Mas a ciência também acredita que, para acelerar qualquer coisa à velocidade da luz, em relação à sua fonte, exigiria uma quantidade infinita de energia. Então, como um fóton consegue atingir a velocidade da luz, de um ponto inicial, quando é emitido de sua fonte? Não vejo como pode.

Por outro lado, suponha que o átomo que emite a luz não emita uma partícula, mas, em vez disso, grava um plissado transversal dentro do tecido da correia transportadora do tempo enquanto ele passa. Eu assim imagino o meu correia transportadora do tempo para ser uma versão tridimen­sional do papel em movimento de um gravador de gráfico eletro­mecânico sobre o qual a caneta oscilante inscreve um traçado de tinta. Este vinco move-se naturalmente para a frente, sobre a correia transportadora do tempo, longe do átomo à velocidade da luz, sem a necessidade de energia acelerada. O vinco no tecido temporal efetivamente armaz­ena o quantum de energia inscrito ali pelo átomo.

Essa idéia é consistente com o bem conhecido fenômeno científico conhecido como o efeito Döppler da luz.

Suponha que a minha velocidade, em relação a uma fonte de luz verde, seja zero (como na ilustração do meio à esquerda). Eu vejo luz verde porque a fonte está escrevendo alternando vincos transversais na minha correia transport­adora de tempo na freqüência f de luz verde, à medida que passa a fonte à velocidade c. À chegada aos meus olhos, os vincos transversais, portanto, alternam na freqüência f quando eles entram na singularidade no meu centro da consciência. Se eu me afasta da fonte de luz verde na velocidade v (como mostrado à esquerda da ilustração), a minha correia transportadora passa a fonte à velocidade c + v. Os vincos transversais, escritos na frequência f, serão, portanto, separados por pouco mais distância.

O resultado é que, à medida que a correia transportadora do tempo passa para a singularidade no meu ponto de observação, os vincos passarão em uma freqüência reduzidaf × c/(c+v). Isso fará com que a fonte de luz verde parece-me como luz vermelha. Se, por outro lado, estou me movendo em direção à fonte de luz verde na velocidade v (como mostrado à direita da ilustração acima), minha correia transportadora passa a fonte à velocidade c−v. Os vincos transversais, escritos na frequência f, serão assim inscritos mais próximos um do outro. O resultado é que, à medida que a correia transportadora do tempo passa para a singularidade no meu ponto de observação, os vincos passarão em uma freqüência aumentada f × c/(c−v). Isso fará com que a fonte de luz verde parece-me como luz azul.

A expressão c+v, usada acima, onde o observador está recuando da fonte de luz, não implica que qualque coisa pode exceda a velocidade da luz c. Os vincos na minha correia transportadora do tempo, uma vez gravadas, movem-se sempre à velocidade c da correia transportadora. Se um observador na fonte de luz ver o traço do pulso da luz como mostrado à direita, o gravar na minha correia transportadora do tempo será alongado horizontal­mente em relação ao traçado estacionário. Suponha que o rastreio e o vinco sejam alinhados um com o outro no A. Após o tempo δt, a amplitude é como mostrado no B.

No entanto, durante o lapso δt, a própria correia transportadora tornou-se desligada da fonte por uma distância vδt. Conseqüentemente, o vincos de amplitude no ponto B na minha correia transportadora aparecerá uma distância extra BB' ao longo do tecido da correia transportadora. A mudança na amplitude da luz de A para B' será, portanto, transmitida para mim mais lentamente do que ela foi gravada de A a B pela fonte. É por isso que vejo luz vermelha e não a luz verde que a fonte emitiu.

Quanto mais perto estou de uma fonte de luz, mais forte eu percebo a luz dela. Uma maior proporção da luz emitida pela fonte é capturada pelos meus olhos. Eu proponho que isso seja porque os vincos, grav­ados pela fonte de luz na minha correia transport­adora do tempo, ocupam uma proporção cada vez maior da área da superfície que a minha correia transportadora se submete à fonte de luz. Esta energia capturada foi medida para ser inversamente proporcional ao quad­rado da minha distância da fonte de luz. No entanto, penso que é melhor, con­ceitualmente, dizer que essa energia capturada é inversamente propor­cional à superfície esférica sub­tendida pela minha correia transportadora na fonte de luz.

Minha noção de uma pessoal correia transportadora do tempo, trazendo todas as informações e efeitos para mim, de todas as partes do universo, parece, a primeira vista, ter uma falha grave. O universo teria que equipar todos os outros observadores conscientes com uma idêntica pessoal correia transportadora do tempo. Isso é evidenciado pelo fato de que cada observador consciente vê o universo de um ponto de vista que é pelo menos um pouco diferente do qual de qualquer outro observador consciente. Nenhum observador pode ocupar exatamente a mesma posição no espaço ao mesmo tempo.

Ainda mais do que isso, parece que todo ponto infinitesimalmente pequeno no espaço teria que ter sua própria correia transportadora do tempo. Isso é evidenciado pelo fato de que quando estou em uma sala fechada, iluminada por uma lâmpada, vejo a luz, que claramente se originou da lâmpada, refletida para mim das paredes da sala. Cada ponto nas paredes está gravando luz na minha correia transportadora do tempo. A luz deve, de certa forma, ter viajado da lâmpada para as paredes antes de poder ser gravada na minha correia transportadora do tempo em cada ponto das paredes. É possivel que cada ponto infinitesimalmente pequeno nas paredes da sala tem sua própria correia transportadora do tempo para trazer a luz da lâmpada?

O que seria a natureza de um ponto infinitesimamente pequeno no espaço tridimensional? Seria uma unidade granular básica do espaço com o diâmetro de um comprimento Planck? Em caso afirmativo, como as demarcações exatas entre pontos serão determinadas? Essas unidades granulares são objetos reais? São os elusivos laços de Loop Quantum Gravity? Talvez. Mas há outra opção para a especulação.

Pode ser que somente objetos reativos tenham suas próprias correias transportadoras do tempo. Por objeto reativo, quero dizer, algum tipo de estrutura de onda estável, como um átomo, que tem a cap­acidade de absorver ou reagir a efeitos que originam de outros objetos. Assim, talvez cada estrutura de onda permanente no universo tenha sua própria correia transportadora do tempo fluindo continua­mente para dentro dele na veloci­dade da luz, c. Assim, os átomos e talvez outras partículas primárias poderiam ser, essencialmente, sumidouros do tempo. Esta visão parece mais plausível para mim por razões que a minha consciência depende de mecanismos fotoquímicos para transduzir o que chega na minha correia transportadora do tempo, para fornecer-me com a minha visão consciente.

Assim é explicada a luz refletida das paredes do meu quarto. Cada átomo que reage a luz na tinta na parede absorve a luz que chega em sua correia transportadora do tempo da lâmpada e então usa a energia dela para gravar um novo vinco na minha correia transportadora do tempo, que chega devidamente aos meus olhos alguns nanosegundos depois.

A correia transportadora do tempo também é consistente com a observação de que a luz dispersa-se esféricamente em 3 dimensões a partir de uma fonte. Imagine uma fonte de luz cercada por um número astronômico de sumidouros de luz em todas as direções no espaço tridimensional. Cada sumidouros de luz possui sua própria correia transportadora do tempo continuamente fluindo para dentro dele. Qualquer pulso de luz, que a fonte grava nesta infinidade de correias transportadoras do tempo passando pela fonte, se dispersará esse pulso, para fora da fonte em todas as direções em espaço, à velocidade das correias transportadoras, que é, em todos os casos, c.

Explorei brevemente a possível existência de uma correia transportadora de tempo complementáro, que divergiu, a partir do meu ponto de consciência, em o meu futuro horizonte-de-eventos. No entanto, eu descartei essa possibilidade por causa de ela contèm inconsistências inerentes com a minha percepção geral do universo.

A Essência do Tempo

Os meus pensamentos anteriores sobre a percepção do tempo me conduzem pessoalmente à seguinte conclusão especulativa sobre sua natureza.

Eu percebo o tempo para fluir. Não obstante, penso que o sentido do fluxo de tempo é uma experiência, que é invocada pela incessante chegada de novas informações. Consequente­mente, penso que o constante e a variável na integral adjacente devem pertencer à minha experiência do fluxo de tempo e não à realidade objetiva externa que invoca essa experiência.

Eu imagino a realidade objetiva, que invoca a sensação do fluxo do tempo, como o fluxo de um subjacente æther universal, que eu referi como a correia transportadora do tempo. No entanto, ao contrário do antigo conceito do æther luminífero, este existe somente em um estado de fluxo.

Eu vejo isto æther como a essência da existência. É o tecido do qual todo o resto é formado. Mas não existe e não pode existir em repouso. Flui continuamente à velocidade da luz, c, em relação a tudo mais. Ele flui continuamente, desde os mais distantes do espaço, em singularidades (que eu chamo sumidouros) nos centros de todas as estruturas estáveis, de ondas estacionárias, no universo.

Não vou especular quanto à forma ou estrutura deste universo. Como todos os observadores, eu sou parte disso, então eu nunca posso me colocar em uma posição para vê-lo objetivamente. Eu posso vê o universo somente como um observador, olhando para fora de sua própria posição única dentro do universo. Como tal, o universo parece-me como um fluxo incessante de informações e efeitos que entram em minha visão consciente, como se estivessem sendo carregados sobre um fluxo etéreal, convergindo para mim simetricamente de todas as direções do espaço tridimensional. Vejo que outros reagem a algumas das minhas ações. Conseqüentemente, deduzo que cada um deles deve ter um semelhante fluxo etérea trazendo informaçoes para cada um deles sobre mim.

Percepção Terrestre

Minhas percepções de tempo e espaço se desenvolveram, dentro das redes neurais do meu cérebro, apenas a partir de experiências que eu tive no meu ambiente terrestre. Esse ambiente não é geral. É, universalmente falando, um caso especial. Seus fundamentos parecem ser espaço (manifestado como a distância estática entre as coisas) e o tempo (o atraso envolvido no movimento em uma distância). Se, no entanto, por meio de uma experiência de pensamento, eu me transporte para além do ambiente terrestre dentro do qual minhas percepções foram formadas, os fundamentos aparecem um pouco diferentes. Eles parecem ser essencialmente uma ordem de tempo removida das minhas experiências formativas.

No espaço exterior, estacionário é simplesmente um caso especial de movimento relativo. O estado básico é onde as coisas estão se movendo sem perturbar uma as outras. Ou seja, onde todos os objetos estão se movendo livre de forças direcionados externas aplicadas em suas superfícies externas. Neste estado, o tecido do tempo (o éter) parece não existir. Conseqüentemente, percebo que é velocidade relativa e não espaço (distância ou separação), que é o separador fundamental de objetos. Por este motivo, eu atribui a velocidade relativa como uma relação adimensional. Isso exige que as noções como distância e aceleração sejam redefinidas contra a velocidade relativa.

Conseqüentemente, vejo a velocidade relativa como uma relação adimensional entre zero e unidade, sendo expressa como uma fração da velocidade da luz, c, que é a velocidade a que o éter (o tecido do tempo) flui. As velocidades terrestres poderiam ser expressas em termos de uma unidade que eu chamo de "nanocee", que é mil milionésimo da velocidade da luz. Assim, 100 nanocees corresponderiam a pouco mais de 67 mph (108 km/h) e 100 mph (161 km/h) corresponderiam a 149 nanocees.

O tecido do tempo (o éter) parece afirmar-se somente quando meu corpo está acelerado por uma força externa. Isso faz com que minha correia transportadora do tempo torne-se forçavelmente distorcido (comprimida em uma direção e esticada na direção oposta). O tecido etéreo resiste a aceleração ao transmitir o que aparece como uma reatância inercial à aceleração.

Uma Visão Etérea da Gravidade

Para mim, essa visão composta do fluxo do éter é evidenciada pela existência da gravidade. Um fluxo de qualquer forma de tecido infinitamente compressível em um ponto tende a estabelecer e manter uma simetria de fluxo em direção a esse ponto. Um vórtice de água, às vezes visto onde a água do mar encontra a água do rio, é um exemplo bidimensional. Se dois desses vórtices se aproximarem um do outro, cada um perturba a simetria de fluxo do outro. Como resultado, uma força aparente parece puxá-los juntos na tentativa de fazê-los fundir em um único vórtice. Dependendo das condições iniciais, eles podem cair diretos um para o outro ou orbitarem um para o outro antes de unirem-se.

O vórtice tridimensional do fluxo de éterde todos os átomos que compõem um planeta é muito grande. Assim, tenderá a fazer com que o vórtice de fluxo etéreo, formado pelos átomos em meu corpo, se funda com ele; daí a gravidade. Um corolário interessante para essa visão da gravidade é que isso afasta a necessidade da noção que chamamos de massa, o que eu entendo sempre foi um problema com o Modelo Padrão de Física.

O fluxo simétrico 3-dimensional do éter se move à velocidade da luz. Sua assimetria esférica, no entanto, faz com que sua densidade mude de forma não lineavelmente a uma taxa crescente à medida que se aproxima da singularidade difusa no centro da sua esfera de convergência. Na superfície da Terra, sua taxa de mudança de densidade é extremamente não linear à medida que passa dentro da superfície da Terra. A superfície da Terra acelera assim meu corpo para cima contra o fluxo do éter, criando uma reatância inercial, que é o meu peso.

Conclusão

Minha percepção do tempo e do espaço é, obviamente, significativamente diferente daquela da ciência atual atual. Mas é uma estrutura de percepção que funciona para mim. E é isso que o torna válido. Eu não fingiria que minha estrutura perceptual de tempo e espaço seja de alguma forma uma parte tangível da natureza. É simplesmente uma construção, na minha mente, que me ajuda pessoalmente a compreendê-lo o suficiente para poder navegar pelos caminhos da vida e do pensamento filosófico.

Nesse sentido, é tão válido como o quadro de referência 4-dimensional, usado pela ciência estabelecida. Isso também nunca pode expressar ou representar a verdadeira natureza objetiva do tempo e do espaço. É apenas uma estrutura artificial imperfeita construída dentro das mentes dos físicos para auxiliar a sua percepção, que é necessariamente falível e, como tal, é sempre suscetível a mudanças radicais.


Outras Opções Consideradas e Descartadas

É possível conceber outras possíveis versões da correia transportadora do tempo. Aqui eu explico duas versões que eu, posteriormente, descartei em razão das incom­patibilidades inerentes com a minha percepção geral do universo. Não obstante, eu penso que é útil explicar-las aqui para mostrar que os considerei.

1) Uma Correia Transportadora do Tempo de Saída

O princípio da navalha de Ockham me obriga a procurar a visão mais simples possível. Eu, portanto, preciso considerar a noção de uma correia trans­portadora do tempo única de saída para substituir a miríade delas de entrada. Em vez de a luz ser gravada sobre a miríade de correias transportadoras de entrada, que pertencem o número astronômico de sumidouros de luz que circundam uma fonte de luz, a própria fonte de luz possui sua própria correia transportadora de saída, sobre a qual ela grava o pulso de luz. Cada pia-de-luz é, desse modo, afetada somente pela pequena parte do espalhado pulso de luz, enquanto é transportada para além do pia-de-luz no transportador-de-saída que pertence a fonte de luz.

Sistemicamente, esta última ideia parece muito mais simples e, portanto, de acordo com o princípio da navalha de Ockham, é mais plausível. Contra isso, no entanto, é que a idéia da correia transportadora do tempo que entra baseia-se na observação direta, enquanto a idéia da correia transportadora do tempo que sai é baseada na dedução (indireta), que é fundamentalmente menos confiável. [Voltar]

2) Uma Correia Transportadora do Tempo Dúplex

Mas há uma terceira opção. Suponha que ambos existam. Suponha que toda estrutura de ondas estacionárias no universo tenha uma correia transportadora do tempo que entra dela e uma correia transportadora do tempo que sai dela.

Nesta terceira visão, cada estrutura de ondas paradas no universo é um centro de troca de um fluxo de tempo full-duplex (ou bidirecional). É um ponto-singularidade, que atua como uma fonte e uma pia de tempo. Sua correia transportadora de tempo que entra é a essência fluente fundamental que é a substância de seu horizonte-de-eventos passado. A sua correia transportadora de tempo que sai é a essência fluente fundamental, que é a substância do seu horizonte de eventos futuro. Sua correia transportadora que entra, traz informações de seu horizonte de eventos passado. Sua correia transportadora que sai, leva informações para o seu horizonte de eventos futuro. O fluxo dúplex do tempo é, portanto, a essência fundamental que faz do universo uma única entidade comunicável.

Imagino que esta terceira visão seja semelhante, em princípio, a uma linha de trans­missão de dois fios equilibrada que alimente uma antena dipolo de rádio. A correia transportadora do tempo é a onda viajante, que se viaja do transmissor para a antena a uma velocidade constante (um pouco abaixo da velocidade da luz, c). O ponto-singularidade, ao qual está fluindo, é a antena. A estrutura da ondas paradas (um átomo), que circunda a singularidade, compreende as ondas paradas, refletidas dentro da linha de transmissão. A estrutura da ondas paradas, que percebemos como o átomo, é, portanto, um tipo de padrão de onda estável preso entre as duas correias trans­portadoras do tempo. Assim, todas as estruturas microscópicas estáveis no universo estão ligadas, dinamicamente, pelo que é, de fato, essa correia trans­portadora do tempo dúplex.

Eu imaginei esta correia-transportadora-do-tempo dúplex, como um fluxo bidirecional que está, continuamente, entrando e saindo de uma ponto-singularidade, que reside no centro de uma estrutura de ondas paradas. A noção estrita de um ponto-singular sempre incomodou-me. Por exemplo, nunca me sinto confortável com a idéia do nascimento do universo, como uma grande explosão (Big Bang), a partir de um ponto-singularidade infin­itamente pequeno. Conseqüentemente, em vez de uma singularidade de ponto, imagino as correias transportadoras do tempo que flui para dentro e para fora de uma singularidade difusa finita, dentro da qual, termos desconhecidos, dentro das leis de movimento das correias transportadoras do tempo, que aplicam em perta proximidade da singularidade, dominam sobre os termos mais gerais.

Claro, nenhum observador (coletor de informações) pode ver (ou sentir de qualquer forma) qualquer coisa dentro de seu futuro horizonte de eventos. É fundament­almente inacessível para ele. Ele pode ver e ser afetado por somente o que está chegando a ele de seu horizonte de eventos passado. No entanto, ele pode enviar informações e impor efeitos sobre os observadores, que habitam seu futuro horizonte de eventos. Assim, qualquer observador - e, de fato, qualquer estrutura de ondas paradas no universo - está localizado a uma singularidade para dentro do qual o tempo flui e fora do qual flui novamente.

Como observador, acho-me levado à seguinte ideia. Existem alguns fenômenos que me chegam exclusivamente na minha própria correia transportadora de tempo pessoal. Existem outros fenômenos que me perturbam quando eles passam por mim, nas suas correias transportadoras do tempo, o que fluem fora das suas fontes respectivas. Existem ainda outros fenômenos que, de algum modo, viajam sobre as correias transportadoras do tempo de sai de suas fontes e também na minha correia transportadora do tempo, que está chegando dentro de mim. Estas três situações, entre eles, parecem me dar uma boa conta de muitas situações, que eu anteriormente achava impossível de entender.

Considere o caso de onde eu estou observando uma fonte de luz distante, conforme descrito na ilustração a seguir.

A fonte de luz à esquerda emite um pulso de luz. Este pulso grava um vinco de energia na correia transportadora do tempo, enquanto ela está saindo da fonte. Por causa de sua natureza, o vinco gravado pelo pulso da luz também se imprime na minha correia transportadora do tempo que está chegando para dentro de mim. O transportador de para fora tende a distribuir a energia do pulso de luz sobre a área superficial de uma esfera em constante expansão. O transportador de para dentro tende a concentrar a energia do pulso de luz na área de uma tampa esférica, que gradualmente se contrai em direção à área zero à medida que se aproxima de mim.

Uma interação infinitamente contínua entre os dois transportadores resultaria na energia do pulso de luz primeiramente se espalhando para fora até o ponto de meio caminho e, em seguida, sendo efetivamente concentrado de novo à medida que se aproxima do seu ponto de destino. Perhaps this structure of perception can plausibly explain how a photon - an undulating disturbance - could provide its energy point-to-point but also be subject to waves-like interference effects during its journey along its path. Imagine, por exemplo, que um par de Fendas de Young foram colocadas no meio do diagrama.

Talvez o grau, ao qual um pulso eletromagnético gravar cada transportador, varia com a freqüência do pulso, ou mais precisamente, seu gradiente de rampa - quão rápido sua polaridade muda. Talvez os pulsos de alta freqüência reajam muito, proporcion­almente, com a correia transportadora de entrada do observador, enquanto os pulsos de baixa freqüência reagem muito mais, proporcionalmente, com a correia transport­adora de saída da fonte. Isso poderia explicar porque a luz parece viajar como part­ículas enquanto os sinais de rádio parecem viajar como ondas distributivas simples.

É claro que, como observação estabelecida confirma, um fóton começa sua jornada como uma partícula parecida com um ponto e termina sua jornada como uma partícula parecida com um ponto. Não obstante, como mostra a ilustração acima, pode, durante sua jornada, se espalhar como uma estrutura de onda e se contrair de novo para uma partícula semelhante a um ponto. É fundamentalmente impossível ver a forma, estrutura ou comportamento de um fóton durante o voo dele. Então, ninguém pode saber se ou como a natureza de um fóton pode mudar durante sua jornada de origem a destino.

Isso significa que tanto a fonte (origem) como a pia (destino) de um fóton participam na sua transmissão através do espaço. Além disso, muito pouco, se houver, pode ser conhecido sobre a viagem ponto-a-ponto de um fóton. Por exemplo, o tempo de trânsito ponto-a-ponto de um fóton - e, portanto, a velocidade ponto-a-ponto da luz - não pode ser conhecido. Somente podemos medir o tempo para que a luz faça uma viagem de ida e volta de sua fonte para um refletor e do refletor de volta à sua fonte. E quem sabe se o fóton que chega à fonte ao fim do trecho de retorno é realmente o mesmo fóton o qual saiu da fonte no início da ida.

Não obstante, por razões que explicarei em ensaios posteriores, continuarei com a idéia de que existe apenas uma correia transportadora do tempo, o que está fluindo continuamente para dentro de cada objeto no universo.


© novembro 2014, junho 2016 Robert John Morton | ANTE | PROX