Capítalo 11: Como Eles Governam

Rodapé: O Espaço Vetorial da Política

A posição política de uma pessoa ou de um partido não pode ser expres­samente declarada apenas em termos de direita e esquerda. Isso ocorre porque envolve 3 escalas ou variáveis independentes. Consequentemente, só pode ser expresso completamente em termos de uma posição dentro de um espaço vetorial tridimensional. [PDF] [English]

Uma amiga minha, do Reino Unido, escreveu-me dizendo que recentemente tinha concorrido ao cargo de conselheira conservadora. Em sua carta, ela disse que ela era mais "centro-direita" politicamente. Os conceitos de esquerda e direita na pol­ítica sempre foram um mistério para mim. Parece haver muita confusão e pouca consistência no que se entende por Esquerda e Direita.

Conservadores, como Thatcher e Reagan, dizem que estão à direita. Eles favore­cem uma economia sócio-econômica baseada no capitalismo do mercado-livre. Mas Hitler e Mussolini seriam ainda mais à direita. E eles são socialistas. Dizem que Stalin e Mao estavam na esquerda. Com isso, sou levado a acreditar que suas ideias são socialistas, abraçando a propriedade comum das pessoas de todos os meios de produção, distribuição e câmbio. Mas a Rússia e a China parecem-me estados sob­eranos, que estão sob o controle de um único autocrata, que governa através de uma hierarquia de asseclas. Assim, esses países comportam-se como versões gigantescas de uma corporação capitalista. O que é supostamente de propriedade comum está sob o controle de cada autocrata respectivo. E controle é posse. Então isso os colocaria bem à direita.

Como pessoa do centro-direita, imagino que minha amiga preferiria uma sociedade em que as pessoas fossem classificadas socialmente de acordo com a classe econ­ômica, educacional e cultural, mas talvez não de acordo com raça ou etnia. Eu, por outro lado, preferiria uma sociedade em que as pessoas não sejam socialmente classificadas. Isso me coloca na extrema esquerda. Não obstante, penso que todos devem possuir, por direito de nascimento, capital suficiente para poder transformar seu trabalho em suas necessidades e luxos da vida, independentemente de qual­quer empregador ou benfeitor. Isso me coloca bem para a direita. Então eu devo ser um paradoxo político.

Aparentemente, não estou sozinho em minha confusão sobre a direita e a esquerda na política. Na época em que estou escrevendo [início de 2019], Jair Bolsonaro, o presidente do Brasil, quando visitou Israel, também ficou confuso com a direita e a esquerda quando assumiu que Hitler era esqu­erdista porque era socialista. Ele estava, nesta ocasião, obviamente pens­ando racionalmente em vez de politicamente. [1]

Eu penso que essa confusão surge porque as pessoas tentam simplificar excessiva­mente a noção de postura política. Anos atrás, quando eu estava envolvido com sis­temas de arquivamento, sabia-se que, se o número de arquivos disponíveis fosse menor do que o número de categorias sob as quais os documentos deviam ser arquivados, a confusão reinaria. Da mesma forma, se alguém tentar expressar um conceito composto como postura política com menos do que o número de variáveis independentes que contém, então a confusão reinará. Direita-Esquerda é uma vari­ável que só pode mover-se em uma dimensão. No entanto, as pessoas tentam em vão usá-lo sozinho para descrever a posição política, que é um conceito multidim­ensional. Então a confusão reina.

A noção de postura política, que a observação ao longo da vida me deu, compre­ende três conceitos separadamente demarcáveis, que são livres para variar indep­endentemente uns dos outros. Esses são o caráter social, a distribuição de capital e o modo de governo. Pode haver, claro, outros. Mas pelo menos os meus três de­vem apresentar uma noção mais clara de postura política do que apenas um. Por isso, descreverei o que quero expressar com cada um desses três, e depois, os re­unirei para formar uma visão tridimensional composta da minha noção de posição política.

Uma Visão de Além da Terra

Para começar essa missão, preciso de uma visão geral clara da Terra. Fotografias de satélite mostram-me um planeta azul com nuvens brancas e áreas de oceanos, montanhas, desertos e planícies verdejantes com rios. Mas vejo alguma evidência firme de vida inteligente? Sim.

Concentrando-me nas Ilhas Britânicas, eu vejo que, apesar de 34,9% delas parecerem selva­gens, 57,6% aparentes parecem estar divididos em formas bastante regulares de cores varia­das. São campos agrícolas nos quais as culturas para consumo humano estão crescendo. Esp­aços escassos dentro de alguns desses campos são formas regulares escuras muito menores. Estes são edifícios, alguns dos quais são casas para as pessoas que estão cultivando as cult­uras, enquanto outros são celeiros para arm­azenar colheitas e equipamentos agrícolas. Isto parece-me ser um ambiente saudável e inspir­ador, no qual os seres humanos vivem e trabal­ham felizes com a natureza.

Dispersado dentro dessa paisagem, vejo num­erosos fragmentos escuros que somam outros 5,9% da área terrestre. A textura dessas man­chas parece ter uma granularidade geométrica fina. Estas são aldeias, vilas e cidades. Estes, na maior parte, compreendem casas, com um nú­mero muito menor de granulações geométricas maiores, que são fábricas, blocos de escritórios e áreas comerciais. Assim, parece que a maior­ia dos seres humanos vive e trabalha espre­midos juntos nessas áreas urbanas compara­tivamente pequenas. Parece-me que este é um ambiente muito duro para condenar as pessoas a viver e a trabalhar as suas vidas.

Assim, embora um punhado de pessoas viva no sertão, a grande maioria da humanidade é seg­regada nos dois tipos diferentes de ambiente terrestre artificialmente modificado, que acabei de descrever. E enquanto apenas um centés­imo da humanidade está espalhada pela por­ção rural, os 99% restantes são embalados em uma porção urbana de apenas um décimo de seu tamanho. A ilustração à direita mostra a disparidade em escala na quantidade de terra ocupada por cada um dos dois grupos, respect­ivamente. Não posso deixar-me de perguntar por que os humanos optam por distribuir-se dessa maneira. O que motiva a maioria a en­carcerar-se em uma aglomeração aparentemente infinita de pequenas caixas de tijolos?

Se eu fosse um viajante espacial alienígena, observando a Terra pela primeira vez, penso que acharia isso muito difícil de entender. Por que os humanos não se distri­buem de forma mais homogênea em toda a terra disponível? Cada família nuclear teria, então, as vantagens de um ambiente mais saudável, um nível muito mais alto de auto-suficiência e a inspiração da natureza, embora ainda estivessem suficient­emente próximos para permitir uma interação social adequada. Eu penso que a única conclusão razoável, que eu poderia tirar, é que deve haver algum tipo de força oculta mantendo a grande maioria presa em sua prisão urbana.

O Maior Assalto da História

Essa "visão do além" atual é uma situação estática, ou, o grau em que a sociedade humana é polarizada nesses dois grupos distintos é apenas um instantâneo dentro de um processo dinâmico, que está ainda em andamento?

Olhando para trás ao longo do curso da hist­ór­ia, é claro que a sociedade humana tem estado no processo de separar-se nesses dois grupos por um tempo muito longo. Além disso, isso vem acontecendo em um ritmo cada vez mais acelerado para chegar à situação extrema que vemos hoje. Então, o que está impulsionando esse processo? Os seres humanos não têm motivo interior para dirigirem-se a um espaço cada vez mais confinado e cada vez menos sal­ubre. Então, o que os está concentrando em sua prisão urbana? É uma força atrativa como a gravidade os puxando para as cidades ou é uma força repulsiva empurrando-os para fora do campo?

No passado idílico, a casa de uma família nuclear incorporaria naturalmente recur­sos necessários e suficientes para permitir que seus membros convertessem seu próprio trabalho diretamente em suas necessidades e luxos da vida. Esses recursos eram o que estava acima, abaixo, ou crescia, da terra em volta de seu lar. Embora o comércio com outros fosse possível e talvez até desejável, não era essencial para a sobrevivência. A idílica família nuclear era essencialmente auto-suficiente. Ela vivia em um ambiente natural saudável e inspirador, e o espaço livre médio entre a família e seus vizinhos proporcionava uma mistura ideal de socialização e solidão.

O lar urbano moderno, por outro lado, não tem terra em volta. Ele é construído em uma pequena parcela, não muito maior do que a própria casa. Seus ocupantes não têm o uso livre dos recursos terrestres suficientes, para converter seu trabalho em suas necessidades da vida. A família urbana é, portanto, totalmente dependente pela sua sobrevivência em alguns meios externos — sobre os quais não tem autori­dade ou controle — de converter o trabalho de pelo menos um dos seus membros nas necessidades da vida para todos eles. Então, o que, ao longo da história, pod­eria ter motivado a família genérica a deixar seu lar idílico para o confinamento deprimente de uma pequena caixa de tijolos em um minúsculo jardim urbano sem meios diretos de sustentar-se? As lojas? Os salões de dança? Os cinemas? O tran­sito? Os irritáveis detestáveis frustrados vizinhos? Penso que não.

A força motriz desse processo de polarização social não pode, portanto, ser uma de atração, que atrai as pessoas para as cidades. Consequentemente, não pode ser nenhum outra coisa que não uma força de repulsão, que os desloca dos campos. Então, qual é esta força oculta? É a força das armas. Como isto é aplicado? Isto depende da época. Uma legião romana invade uma terra tribal para capturar à força seu povo para servir a um mestre romano. O exército privado de um duque derruba os camponeses do campo de caça recém-declarado de seu senhor. Os homens do rei limpam os cultivadores de tiras de terras comuns prontas para serem "ser privatizados". Um esquadrão de Tommies[2] com Lee-Enfields equip­ados com baioneta expulsa WOGs[3] recém-recrutados de suas pequenas proprie­dades. Os demônios de olhos selvagens, de braços abertos, de um chefe guerreiro africano expulsam pastores de seus pastos para cultivar safras para os super­mercados do primeiro mundo. Seis capangas carregados de Kalashnikov, contrat­ados por um agronegócio corporativo, saltam de uma picape Toyota para expulsar um chacareiro indefeso de seu sítio legal. Espingardeiros, contratados por empres­as de mineração, expulsam aborígines de suas legítimas reservas florestais. A lista não tem fim. E onde fica o único lugar para onde esses infelizes deslocados podem sobreviver? As cidades, que estão sempre em expansão.

O ser humano não é inerentemente auto-suficiente. É um mero subsistema da bio­sfera da Terra. Não pode, portanto, funcionar sem trocar energia e materiais com seu ambiente terrestre. Consequentemente, para completar o sistema funcional, do qual o ser humano é uma parte, requer terra mais o que está acima dela, sobre ela, abaixo dela e cresce sobre ela. Se todas as terras habitáveis do planeta fossem divididas igualmente entre seus sete bilhões de habitantes humanos, cada adulto, criança e bebê teriam cerca de dois hectares. Menos de 36% disso está realmente sendo usado para fornecer sustento mais do que adequado para todos na Terra.

A força escondido cortou, assim, a conexão entre o ser humano genérico e o sist­ema biosférico do qual ele é parte integrante. Ela negou à força a todas as pessoas seu óbvio direito inalienável de adquirir suas necessidades de vida da biosfera ter­restre. Em outras palavras, perpetrou o maior assalto da história. Ela desapossou as pessoas da terras deles, através de um ato hediondo de roubo agravado. Os modernos controladores dessa força escondido — os descendentes dos autores desse crime — são as famílias dinásticas, que agora herdam todos os recursos econômicos do planeta Terra. Eles assistem sua "riqueza, cascatando ao longo das gerações", dando-lhes poder invencível para salvaguardar sua prosper­idade por ex­cluir os 'estranhos despossuídos' de participar diretamente nos seus empre­endi­mentos escolhidos.

Uma Interdependência Assimétrica

Se essas famílias dinásticas aproveitassem seu próprio trabalho, não precisariam de nada nem de ninguém. Eles poderiam sobreviver confortavelmente. Mas para tal, a sobrevivência confortável não é suficiente. Eles querem mais. Muito mais. Eles querem luxo sem limite. Para conseguir isso, eles devem implantar uma proporção significativa de seus recursos terrestres: sua terra e o que está acima dela, abaixo dela, e cresce sobre ela. A terra em si oferece espaço para campos, minas, fábri­cas e centros de varejo. Os campos cultivam alimentos, as minas fornecem mater­iais e as fábricas transformam os materiais em necessidades e luxos da vida, que são vendidos para o infeliz consumidor através de seus centros de varejo. A quant­idade de mão-de-obra necessária para implantar essa proporção significativa de seus recursos é muito mais do que eles próprios podem fornecer. Assim, o trabalho humano necessário para alimentar tudo isto deve ser retirado do vasto número de famílias nucleares arrumadas em suas pequenas caixas de tijolos nos conjuntos habitacionais urbanos.

A grande maioria das famílias comuns, que foram historicamente deslocadas de suas terras, agora estão comprimidas em suas pequenas propriedades urbanas, cada uma em sua pequena caixa de tijolos. O lote "selo postal" em que a casa urbana é construída não contém nada que se aproxime da quantidade mínima e necessária de recursos terrestres para permitir à família transformar seu trab­alho em suas necessidades de vida. Consequentemente, para sobreviver, a família urbana deve tentar trocar o único recurso que possui — o trabalho humano — por suas necessidades de vida. A família dinástica em sua propriedade fundiária, por outro lado, só precisa desdobrar tanto ou tão pouco de seus vastos recursos terre­stres para alcançar o nível de luxo e bem-estar que deseja de tempos em tempos. Por isso, é improvável que alguma vez precise de todo o trabalho potencialmente disponível dos urbanos Sem-Terras. Assim, é pouco provável que a força de trabalho urbana potencial seja totalmente empregada.

Assim, embora exista uma forte interdependência entre os Sem-Terras e os Lati­fundiários[5], é muito desequilibrada. É um caso dos Latifundiários dizendo aos Sem-Terras: "Você precisa de nós, mas nós não precisamos de você". Consequente­mente, o trabalho é sempre e inevitavelmente um mercado do comprador, no qual, o comprador nomeia o preço. O trabalhador fica desesperado e, por isso, deve aceitar o que lhe é oferecido em troca de seu trabalho. Aqueles que possuem os re­cursos devem-se, é claro, fornecer àqueles que trabalham com pelo menos seus requisitos mínimos, necessários e suficientes de vida. Caso contr­ário, eles não poderão continuar trabalhando. Eles enfraqueceriam e eventual­mente morreriam de fome. Não obstante, tal situação não duraria muito tempo antes de iniciar uma insurreição universal e precipitar o roubo e a invasão de recursos terre­stres. Para evitar isto, aqueles que possuem os recursos são forçados a manter a quantidade de recompensa pelo trabalho no ponto, ou acima de, este limiar de insur­reição universal. Daí o conceito moderno de salário mínimo, que é mantido um pouco acima deste limiar.

A relação entre os Latifundiários e os Sem-Terras é um de senhor e escravo, nos quais o escravo é livre para mudar seu mestre, pois o mestre é livre para demitir seu escravo; e o escravo é pago pelo seu trabalho em dinheiro em vez de comida e alojamento reais.

Então eu me pergunto, o que se entende por Direita e Esquerda pode estar relaci­onado ao grau de assimetria de interdependência, que existe entre os Latifundi­ários e os Sem-Terras?

A primeira assimetria está na divisão de recursos terrestres que podem converter diretamente o trabalho humano em necessidades da vida humana. Eu posso per­ceber uma antiga sociedade idílica na qual todas as famílias nuclear tem posse e uso alodial de sua própria parte justa da terra habitável do planeta para trans­formar seu próprio trabalho em suas próprias necessidades de vida. Isto eu colo­caria na extrema esquerda. A situação atual, onde a posse de todos os recursos do planeta é dividida entre alguns poucos oligarcas, eu colocaria na extrema direita. No meio, os dois grupos — os Latifundiários e os Sem-Terras — teriam aproxi­mada­mente a mesma quantidade de terra.

Há aqui, no entanto, uma segunda assimetria. A proporção em que a posse alodial da terra é dividida não é o que determinou diretamente o grau de bem-estar des­frutado pelo indivíduo genérico em cada um dos dois grupos. É diretamente deter­minado por quão bom ou mau um mestre é para seu escravo: quão generoso é um industrialista para sua força de trabalho ou quão rigoroso é um fazendeiro para seus trabalhadores. Aquele que possui os recursos nomeia o preço do trabalho. Então, se os Sem-Terras vivem na miséria ou riqueza depende do caráter endêmico dos Latifundiários. E isso é uma coisa cultural.

Assim, uma Direita e Esquerda completamente diferente poderia ser um espectro de medidas que abrange o caráter endêmico dos Latifundiários em uma escala de generosa figura paterna ao avarento de punho cerrado. Uma observação interes­sante aqui é que, em muitas línguas aborígenes, a palavra — e, portanto, o con­ceito — para "escravo" é a mesma que para "filho". Assim, se um membro da tribo aborígine que possuísse recursos fosse avarento para com seu escravo, ele seria igualmente para com seu filho. E se ele fosse amoroso e generoso com seu filho, ele seria o mesmo para seu escravo.

Até agora, temos duas variáveis ​​sociais mutuamente independentes, ambos das quais poderia ser interpretada como uma espécie de escala política de esquerda para direita. Mas há um terceiro.

Contenção e Explotação

O grande desigualdade de riqueza, que existe entre os Latifundiários e as Sem-Terras, gera uma pressão social reativa, que empurra para restaurar o equilíbrio. No entanto, esse desigualdade não é apenas sustentado: está aumentando a um ritmo acelerado. Consequentemente, deve existir uma pressão causal ainda maior que mantenha a disparidade. O que é essa pressão causal? O que é que está impedindo o morador urbano de sair para o campo e comandar sua parte justa e legítima dos recursos da terra, do planeta em que nasceu, e usá-los para converter seu trabalho em suas necessidades de vida. Essa irresistível pressão causal é a força onipotente da lei, cujo propósito é facilitar e impor a contenção e a explot­ação dos pobres pelos ricos; os despossuído pelos senhores da terra, os mansos pelos exigentes, os muitos pelos poucos.

A contenção dos despossuídos é efetuada pelo governo. Isso é feito pela formul­ação de leis. Estes incluem declarações que especificam restrições e proibições de como os despossuídos podem agir e comportar-se. Essas mesmas restrições e proibições teoricamente aplicam-se igualmente aos Latifundiários. No entanto, aos Latifundiários não são geralmente perturbados por estas restrições e proibições simplesmente por causa da situação socioeconômica muito diferente dos Latifundiários. Infrações destas restrições e proibições são detectadas pela polícia. A penalidade apropriada é então determinada pelos tribunais judiciais de acordo com a lei. A penalidade é então aplicada pela polícia. É claro que há muitos sub-órgãos do Estado envolvidos de várias maneiras em várias situações. No entanto, o acima exposto é essencialmente como o sistema de contenção funciona.

A explotação dos desapropriados é efetuada pelos negócios. Talvez o exemplo mais fácil de um negócio para entender seja a fazenda ou "agronegócio". O trabalho humano é aplicado ao recurso terrestre mais fundamental, ou seja, a terra, para produzir alimentos. O trabalho humano não produz realmente a comida. A terra faz isso. Todo trabalho humano faz para facilitar o crescimento da comida plantando sementes, protegendo a fruta enquanto cresce e depois colhendo a fruta. Isso demonstra claramente que o trabalho humano, por si mesmo, não pode produzir nada. Só pode ajudar e organizar os mecanismos biológicos da semente, do ar e da terra para crescer. O mesmo princípio aplica-se à colheita de madeira da floresta para fabricar móveis ou cortar pedras das montanhas para construir casas ou para minerar metais, carvão, petróleo e outros minerais para produzir e alimentar má­quinas e outros produtos.

Por outro lado, os recursos terrestres não podem produzir as necessidades e os luxos da vida humana sem o trabalho humano para impulsionar o processo. Assim, os negócios dos Latifundiários não podem produzir nada sem o trabalho das Sem-Terras. Uma empresa precisa de uma força de trabalho. No entanto, uma empresa não é um sistema dinâmico complexo. Não funciona como uma sociedade igualit­ária livre. É um sistema estruturado como uma máquina. Como tal, tem divisões, que desempenham as funções distintamente diferentes envolvidas no processo global do negócio, na conversão de recursos terrestres nas necessidades da vida. Essas diferentes funções demandam diferentes habilidades humanas, que devem ser aplicadas ao processo de produção de forma organizada e coordenada. Uma força de trabalho deve, portanto, ser estruturada e gerenciada. Este é o único modelo de negócio sob o qual os Latifundiários podem garantir a subserviência permanente dos Sem-Terras.

A estrutura de controle de uma empresa tem a forma de uma hierarquia. Os trabalhadores estão sob o co­mando de um capataz ou fiscal. Capataz e fiscais estão sob o comando de um gerente. Um grupo de gerentes agiliza as ordens de um diretor. Os diretores implementam as políticas do presidente do conselho ou presidente da empresa, que é o chefe autocrático da hierarquia. Embora os superiores possam pedir conselhos especializados de seus inferiores, o com­ando propaga-se de cima para baixo. Inferiores são contratados ou nomeados por seus superiores.

Então, um negócio não é uma democracia. Os trabalhadores não votam em seus superiores. É uma hierarquia autocrática na qual a autoridade é mantida pela ame­aça de demissão por insubordinação ou desempenho inadequado. E uma propor­ção significativa das Sem-Terras estão desempregados, definhando em suas caix­inhas urbanas prontas para assumir o papel de quem quer que seja demit­ido. Os desempregados são levados a adquirir emprego não apenas pela falta de neces­sidades adequadas de vida, mas também pela força da lei, que constante­mente os intimida, ameaçando a destituição, se não for percebido que eles são esforçando-se o bastante para encontrar trabalho. Assim, as Sem-Terras vivem sob um regime ex­tremamente draconiano de contenção e explotação.

Por favor note: se cada desempregado não tivesse sido destituído à força do seu quinhão do planeta em que nasceu, ele não teria necessidade de Benefício da Seg­urança Social. O Benefício da Segurança Social é, com efeito, pago pelos Latifund­iários à porção desempregada das Sem-Terras como um ato egoísta para evitar uma insurreição social generalizada. É apenas uma ninharia, devolvida em parte da parcela de cada um dos desempregados, por direito legítimo, dos recursos econ­ômicos de seu planeta, dos quais ele foi desalojado à força pelos Latifundiários e seus antepassados.

Modo de Governo

Mas não é o caso dos Latifundiários, o significativo entre os quais — os proprietários das grandes propriedades — provavelmente não passa de uma população de uma comunidade antropológica natural de 100 a 150 pessoas. Esta elite forma o que eu chamaria de uma aliança igualitária e inquieta. Eu não chamaria de amigos. Eu não penso que eles tenham alguma preocupação real um pelo outro. Eles estão ligados apenas por um egoísmo mútuo esmagador, que é como continuar e fortalecer sua contenção e explotação dos Sem-Terras. Eles poderiam, é claro, fazer isso com força física bruta. Eles poderiam financiar exércitos privados como fizeram seus ancestrais no passado. Mas isso seria difícil hoje. As nações são muito grandes e suas pessoas são muito bem educadas e informadas. A elite agora aprendeu bem que a ilusão da mente pública é um recipiente muito mais forte do que a força das armas.

Então a elite estabelece seus planos. Tudo começa com a "festa anual" em que cada membro convida todo o resto para um grande banquete em sua casa senh­or­ial. Todos envolvem-se em conversas casuais, mas importantes. Em pares, em três, em quatro, cinco, seis e setes. Nos cantos das salas de jantar e lounges. Nos corre­dores e nichos de jardim. Lá eles sussurram sobre problemas reais e potenciais. Lá, eles formulam os rudimentos da solução. Posteriormente, eles colocam suas idéias em seus think tanks de homens universitários contratados, que cristalizam e formalizam suas ideias em políticas sociais e econômicas. Eles selecionam seus chefes políticos: alguns de entre si, atraindo outros da velha escola e das universidades dos greybrick. Eles financiam esses seletos em campanhas políticas, que são ajustadas para iludir um eleitorado pré-condicionada pela mídia de que o que é bom para os Latifundiários é, também, bom para as Sem-Terras[4].

Essa idéia de que, o que é bom para os Latifundiários é, também, bom para as Sem-Terras. Muitos baseiam-se no que é chamado da Teoria de Gotejar nos Pobres. Não obstante, sob os preceitos do capitalismo de mercado-livre neoliberal, gotas da riqueza dos ricos não tem nenhuma razão sistêmica para cair nas mesas dos pobres.

Os Sem-Terras pensa que vive em uma democracia. Eles acham que têm algum tipo de controle sobre seu destino coletivo. Mas isso é democracia falsa. O eleitor­ado — pelo menos na maior parte — é politicamente passivo. Cada um absorve sua opinião política pré-formada, da mídia impecavelmente orquestrada, que ele con­cretiza na conversa fiada de uma névoa de cerveja à noite da sexta-feira. Assim, a maioria dos Sem-Terras exalam a firme convicção de que sua postura política é a correta. A pressão dos colegas — o desejo de não ser ostracizado — puxa a maior parte do resto em conformidade obediente. O remanescente de livre-pensadores é esmagadoramente super-votado. A política dos Latifundiários prevalece assim. As leis, pelas quais eles querem que a sociedade seja governada, tornam-se pro­mulgadas e aplicadas sobre os infelizes desapropriados. É por isso que o chefe de família urbano não pode sair e comandar sua parte legítima do planeta, em que nasceu, para transformar seu trabalho em suas necessidades de vida.

Se um chefe de família urbano tomasse e ocupasse o que é seu autoevidente direito inalienável, quando a lei formulada a mando dos Latifundiários julga que pertence a um deles, então o ato é chamado de roubo e é bloqueado por tudo que nível de força física pode ser necessária, e o chefe de família urbano é punido como determina a lei. Esta é uma lei de proibição que nega os Sem-Terras um direito inalienável auto-evidente. A lei também impõe obrigações. As mais significa­tivas são as obrigações de trabalhar e lutar. Os membros dos Sem-Terras são obrigados por lei a trabalhar ou a procurar-o ativamente. Se não fazem, são penalizados. Se o território nacional é ameaçado por uma potência estrangeira, os membros dos Sem-Terras são obrigados por lei a lutar — e, se necessário, morrer — para defendê-lo. Se eles recusarem, eles são penalizados. O território da nação pertence essencialmente à 'Latifundiada' Minoria. Conseqüentemente, a lei obriga os membros dos Sem-Terras a lutar para defender as posses dos Latifundiários: não as suas próprias.

Assim, além de ser, sem escolha, um membro de uma força de trabalho explotada sob a hierarquia autocrática de um negócio, os Sem-Terras também está, sem escolha, contidos sob de uma hierarquia autocrática de um sistema de leis, especificamente formulado para servir os interesses dos Latifundiários. Não obst­ante de toda a retórica democrática, é o governo imposto sobre os Sem-Terras pelos Latifundiários para fin de preservar a riqueza e ampliar as am­bições dos Latifundiários.

Mas há uma alternativa. Não é difícil conceber uma sociedade igualitária que não dependa de uma vasta subclasse de escravos para alimentá-la. É claro que, com o avanço da tecnologia, a vasta classe inferior poderia ser substituída por robôs. Mas isso seria apenas mudar o tipo dos escravos. O princípio da dominância hierárquica e subserviência seria exatamente o mesmo. E o que a novos Latifundiários faria com a antigos Sem-Terras da qual não precisaria mais quando os robôs assumissem o papel dos trabalhadores? Extermínio em massa? A única alternativa humana é mudar a forma como todos relacionam-se uns com os outros. No lugar de uma relação hierárquica imposta pela lei e pela força, proponho uma relação igualitária governada por um Protocolo inter-pessoal universal. Desta forma, a relação binária entre qualquer par de indivíduos, dentro da sociedade, assume a forma de um ligação dentro de uma rede universal.

Então, temos aqui ainda outro — um terceiro — conceito político de direita e esqu­erda? A atual sociedade hierárquica de contenção e explotação estaria à direita. Minha proposta, de sociedade de rede igualitária das relações interpessoais govern­adas pelo Protocolo, estaria na esquerda. Esta terceira 'direita-esquerda' dimensão é ilustrada abaixo.

Na extrema direita, a sociedade é uma hierarquia pura. Os ligaçoẽs passam-se de cima para baixo e não existem relacionamentos efetivos entre indivíduos da mesma camada. À medida que se move da direita para a esquerda, os ligaçoẽs começam a formar-se entre os indivíduos de cada camada respectivamente. Assim, uma hierarquia de redes embrionárias começa a formar-se. A força desses ligaçoẽs aumenta gradualmente à direita para a esquerda. Ao mesmo tempo, os ligaçoẽs de controle descendente, entre membros de camadas adjacentes da hierarquia, gradualmente enfraquecem. Quanto mais fracos eles tornam-se, mais as redes embrionárias, das diferentes camadas, movem-se verticalmente umas para as outras, até que, na extrema esquerda, todas elas finalmente fundem-se em uma única rede igualitária e plana. Exemplos de relacionamentos que se podem formar dentro de uma única camada são aqueles entre membros de sindicatos, institutos profissionais, sociedades secretas e partidos políticos.

É claro que, na extrema esquerda, uma sociedade igualitária não contém interes­ses de confrontação como sindicatos, institutos profissionais, sociedades secretas ou partidos políticos. Não tem necessidade deles. Portanto, não há motivo social para eles formarem-se. Os únicos tipos de agrupamentos que existiriam em uma sociedade em rede são grupos de interesse benignos, como clubes esportivos e círculos de tricô. No extremo igualitário, todo o controle é devolvido ao indivíduo. Neste extremo, cada pessoa é seu próprio policial e a sociedade é governada por um Protocolo universal, que especifica os princípios, pelos quais um indivíduo deve-se segir, para interagir com seus companheiros. O julgamento por pares ainda é necessário no caso de um indivíduo não seguir ou violar os princípios do Protocolo.

Eu estimaria, que a sociedade hoje [fevereiro 2019], na escala direita-esquerda de hierárquica versus igualitária, está mais ou menos onde indicado pela seta preta vertical na ilustração acima.

Até agora, referi-me aos ricos como os Latifundiários e aos pobres como os Sem-Terras. Geralmente, as pessoas hoje nem igualam a riqueza à terra. Eles igualam-o com 'dinheiro' ou 'capital'. Não obstante, tanto o capital quanto as necessidades da vida humana só podem ser geradas e sustentadas pela terra. Para uma exposição mais detalhada, por favor consulte Terra, Riqueza e Capital.


Representação Vetorial

Portanto, temos três variáveis diferentes, que podem ser consideradas como vari­ando ao longo de uma linha (ou eixo) entre a esquerda política e a direita política. Essas três variáveis, que podem variar independentemente umas das outras, são as seguintes.

  1. A primeira variável social independente representa a proporção de pessoas que possuem terra. A terra, como recurso terrestre, significa o espaço que ela fornece, o que nela cresce, o que é extraído dela, o que é extraído ou bom­beado por baixo e a atmosfera de sustentação acima dele. Como tal, a terra é o único meio pelo qual o trabalho humano pode ser convertido em necessi­dades da vida humana. No direito político, quase toda a terra está con­cen­trada nas mãos de uma minoria privilegiada. A grande maioria das pessoas têm posse alodial de nenhuma. Na esquerda política, a terra, como uma pos­sessão alodial, é distribuída igualmente a cada pessoa, quer ele ocupe-o ou não. Embora eu considerei a variação na distribuição da propriedade da terra primeiramente, mostrei-a no eixo Z, no meu diagrama de espaço vetorial, para dar uma melhor conceituação.

  2. A segunda variável social independente pode ser pensada como uma medida do caráter da sociedade, particularmente a natureza da relação do senhor com escravo entre o empregador e o trabalhador. Também poderia ser pen­sado como uma medida do grau em que um mestre explota seus escravos. Mesmo em uma sociedade altamente polarizada, na qual uma extremamente pequena minoria posse todos os recursos e quase todos não possuem nen­hum, a qualidade de vida pode ser boa para todos, se os senhores forem gen­erosos e seus escravos forem honestos. Por outro lado, pode ser um inferno de dificuldades se os mestres são gananciosos e os escravos são ladrões. Na esquerda política está localizado o bom mestre bíblico, que é gentil e generoso com seus escravos, que, reciprocamente, percorrerão a segunda milha para resolver uma crise. Na direita política, está localizado o ganancioso mestre egoistica, que recompensa seus escravos com somente as requeridas de vida mínimas, suficientes e necessárias, para que eles podem continuar a servi-lo: o marco do moderno capitalismo neoliberal. A variação entre ganância e gen­erosidade eu mostrei como o eixo X.

  3. A terceira variável social independente representa o modo pelo qual a socie­dade é governada. Ela abrange desde o controle hierárquico totalmente cen­tralizado sobre o direito político a um controle autônomo totalmente distrib­uído sobre a esquerda política. Na extrema direita, a sociedade é governada por um autocrata de acordo com políticas formuladas por ele mesmo. Na ex­tr­ema esquerda, a sociedade é governada de acordo com um protocolo uni­versal, pelo qual todo indivíduo é obrigado a viver, policiado por sua própria consciência. Mostrei essa variável no eixo Y vertical, porque a hierarquia é um conceito vertical.

O diagrama espaço-vetorial político resultante da combinação dessas três variáveis independentes é mostrado abaixo.

A posição política, ou postura, de uma pessoa é, portanto, manifestada como um ponto dentro deste espaço-vetor político tridimensional. A posição da minha amiga "centro-direita" poderia, assim, ser representada pela posição da "dama azul" no diagrama acima. Sua posição no eixo Y a mostra como sendo a favor de um modo hierárquico de governo, mas não tão extrema, a ponto de destruir a ilusão pública da democracia. Sua posição ao longo do eixo Z mostra-a como sendo a favor de uma concentração de riqueza um pouco menos obscena do que é atualmente o caso. Sua posição ao longo do eixo X mostra que ela favorece firmemente a filosofia thatcherista de que a ganância econômica é uma força benigna. Não pretendo sugerir que esta é a verdadeira posição política da minha amiga. É apenas uma maneira conveniente para ilustrar o princípio do espaço-vetorial pol­ítico, que descrevi neste ensaio.

Minha própria posição política é diferente. Estou no fundo do eixo Y, o que significa que sou a favor de uma sociedade em que a educação moral possibilita a cada um governar a si mesmo, nas suas relações com os outros dentro de uma sociedade em rede, seguindo um protocolo universal totalmente internalizado policiado por sua própria consciência. Eu também estou bem atrás do eixo Z, o que significa que sou a favor de uma sociedade na qual cada um tem plena propriedade alodial, de sua parte justa e legítima, do planeta em que nasceu. Eu também estou na extrema esquerda no eixo X, pois acredito que os mestres (se existirem) devem ser tão generosos com seus escravos (se existirem) quanto com eles mesmos. Em outras palavras, minhas posições em todas as três dimensões do meu espaço vetorial político significam que eu acredito que cada um deve amar seu próximo como a si mesmo. Uma grande ordem, na verdade, e uma para a qual o espírito humano ainda não está suficientemente evoluído.

Então, onde, dentro do meu espaço vetorial político, encontraremos Thatcher e Reagan, Hitler e Mussolini, Stalin e Mao?

Desde que eles seguiram o credo neoliberal de ganância pregado por Friedrich Hayek e seus discípulos, Thatcher e Reagan estão obviamente no extremo direito do eixo X. A filosofia capitalista do autogoverno ilimitado também coloca-os bem ao longo do eixo Z; provavelmente muito mais avançado do que eu indiquei para a minha amiga de centro-direita. Sua firme crença no estado de direito também coloca-os razoavelmente no alto no eixo Y; talvez, mais uma vez, mais do que a minha amiga de centro-direita. Embora socialistas, Hitler e Mussolini eram nacional­istas. Todos os recursos caíram sob o controle da nação, o que, por conseqüência, significa seu líder autocrático. Isto coloca-os bem na frente do eixo Z. O autocrata detém efetivamente todos os recursos nacionais simplesmente porque tem con­trole absoluto sobre todos eles. Eles também estariam no topo do eixo Y, porque toda a nação é governada por uma hierarquia totalitária. No eixo X, no entanto, eu colocaria-os um pouco à esquerda do centro, porque seus esforços sócioecon­ômicos são socialistas. Não obstante, é um socialismo exclusivo para o benefício apenas dos membros étnicos de suas respectivas nações. Eu colocaria Stalin e Mao ostensivamente nas mesmas posições que Hitler e Mussolini, exceto que seu social­ismo é teoricamente inclusivo para toda a humanidade.

É claro que a visão tridimensional, dentro do meu espaço vetorial, pinta um quadro muito diferente desses três tipos de regime do que a visão indefinitiva excessiva­mente simplista da Direita-Esquerda convencional.

Onde o movimento trabalhista — a chamada "esquerda socialista" — aparecem dentro do meu espaço-vetorial político tridimensional? O movimento trabalhista nasceu [até onde eu entendo] do desejo razoável das Sem-Terras explotada de adquirir uma certa medida de poder político para melhorar suas vidas e bem-estar. Como tal, o movimento trabalhista e seus partidos políticos associados só têm ra­zão para existir enquanto as Sem-Terras existe. Em outras palavras, somente enquanto a sociedade for polarizada em "aqueles que têm e não trabalham" e "aqueles que trabalham e não têm".

As Sem-Terras, como um grupo, só pode existir enquanto a riqueza está concentrada nas mãos dos Latifundiários. Consequentemente, o significado da política Trabalhista diminui à medida que se move da frente para trás do eixo Z. No extremo mais distante (o fundo) do eixo Z, o conceito da política Trabalhista des­aparece, porque , todos possuem sua própria parte da Terra e dos seus recursos. O movimento Trabalhista também existe para combater a opressão explotadora de uma hierarquia dominante. Portanto, é mais forte quanto mais acima do eixo Y estiver localizado o modo atual de governo. Em uma sociedade igualitária inclusiva (a base do eixo Y), a política Trabalhista seria irrelevante. O movimento Trabalhista existe para combater a ganância dos Latifundiários (os grandes emprega­dores) e forçá-los a distribuir mais da riqueza produzida aos trabalhadores, em termos de melhores salários. A política Trabalhista é, portanto, relevante apenas quando a sociedade é governada pela ganância corporativa (à direita do eixo X) e é correspondentemente irrelevante à esquerda do eixo X.

Consequentemente, a relevância do socialismo segue a proeminência do capital­ismo. Os dois são meramente lados opostos da mesma moeda. Se a moeda deixa de existir, ambos os seus lados obviamente deixam de existir. A qualquer momento, ambos irão habitar essencialmente a mesma localização no meu espaço vetorial político. São pólos opostos de um campo de carga política cuja diferença de poten­cial (ou grau de antagonismo mútuo) aumenta à medida que se movem para a dir­eita, o topo e a frente dos eixos X, Y e Z, respectivamente. À esquerda, embaixo e atrás desses eixos, o potencial antagônico entre eles é zero, porque a polarização social é então zero.

Conclusão

Das 8 divisões cúbicas no meu espaço vetorial político, parece que uma delas não é habitada por qualquer persuasão política conhecida, que existe no mundo de hoje. Esse cubo é aquele delimitado pela esquerda, por trás e por baixo respectivamente dos eixos X, Y e Z. Este cubo pareceria, portanto, um domínio do pensamento polit­ico que nunca foi implementado e com o qual nenhuma sociedade parece ter ex­perimentado. Tendo em mente a bagunça disfuncional em que o mundo está agora, talvez seja a hora de explorarmos esse reino político desconhecido. Pode ser o que sempre procuramos.


Documento Superior | © fev 2019 Robert John Morton,

[1] Eu não endosso a política de Jair Bolsonaro, mas eu respeito o pragmatismo
do pensamento dele neste caso.
[2]Nome coloquial para o soldado britânico comum da época.
[3]WOG = "Worker by Order of the Government" = "Trabalhador por ordem do governo", imposta ao povo da Índia durante o domínio britânico.
[4]O termo 'Sem-Terras' aqui usado refere-se a vasta maioria das pessoas no mundo, que não possuem os recursos terrestres necessários e suficientes para transformar seu próprio trabalho em suas próprias necessidades de vida. Não se refere especificamente ao movimento político particular no Brasil que leva o nome 'Movimento [dos Trabalhadores Rurais] Sem Terra'.
[5]O termo 'Latifundiários' aqui usado refere-se a pequena minoria das pessoas no mundo, que possuem os recursos terrestres ou o capital para comandar o trabalho dos outros.